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Jean Lucas Convocado: Bahia de Volta à Seleção Brasileira Após Décadas

Por Redação FutBahia em 27/08/2025 13:12

A recente convocação de Jean Lucas, meio-campista do Bahia, para a Seleção Brasileira de futebol masculino, representa um marco significativo. O chamado do treinador Carlo Ancelotti não apenas celebra o bom momento do atleta, mas também rompe um silêncio de mais de três décadas para o Tricolor de Aço e reitera a escassa representatividade de clubes nordestinos no cenário da seleção principal neste século. Antes de Jean Lucas , apenas um outro jogador do Bahia havia sido lembrado, e a lista de atletas de toda a região é notavelmente restrita.

A inclusão de um jogador atuando por uma equipe do Nordeste na lista da seleção principal tem sido um evento raro desde o ano de 2001. Contando com Jean Lucas , apenas seis atletas que defendiam clubes da região foram agraciados com tal honra. Este fato sublinha uma tendência que se observa há anos: a dificuldade em projetar talentos locais para o mais alto nível do futebol nacional, pelo menos no que tange à convocação para a Amarelinha.

O Retorno Triunfante: Jean Lucas e a Seleção Brasileira

A chegada de Jean Lucas ao Bahia veio acompanhada de uma promessa do técnico Rogério Ceni, que vislumbrava no jogador um potencial ofensivo ainda inexplorado. De fato, o camisa 6 tem se mostrado um pilar no equilíbrio do meio-campo tricolor, frequentemente surgindo como elemento surpresa na área adversária e convertendo oportunidades em gols, consolidando sua fase artilheira.

Em pouco mais de uma temporada e meia defendendo as cores do Bahia , Jean Lucas alcançou uma marca notável: triplicou o número de gols que havia registrado em toda a sua carreira anterior. Enquanto em 158 partidas por clubes como Flamengo, Santos, Lyon, Brest e Monaco ele balançou as redes cinco vezes, em 101 jogos com a camisa do time baiano, ele já soma 15 gols, sendo nove na temporada passada e seis em 2025, um desempenho que evidentemente não passou despercebido pela comissão técnica da seleção.

Para o Bahia , a convocação de Jean Lucas carrega um peso histórico. O último jogador tricolor a vestir a camisa da Seleção Brasileira foi Luís Henrique, em 1991. Após 33 anos, o feito de Jean Lucas não é apenas uma conquista pessoal, mas um motivo de orgulho e reconhecimento para o clube e seus torcedores, que veem um de seus atletas retornar ao palco mais cobiçado do futebol nacional.

Um Século de Escassez: A Rara Presença Nordestina na Amarelinha

A história recente da Seleção Brasileira revela uma notável ausência de jogadores atuando em clubes nordestinos. Essa realidade, que perdurou por oito anos antes da convocação de Jean Lucas , levanta questões sobre o desenvolvimento e a visibilidade dos talentos na região. Abaixo, uma visão consolidada dos atletas de clubes do Nordeste que foram chamados para a seleção principal neste século, destacando a raridade desses momentos.

Jogador Clube Nordestino Ano da Convocação Observação Principal
Jean Lucas Bahia Atual Quebra jejum de 33 anos para o Bahia.
Diego Souza Sport 2017 Último antes de Jean Lucas; destaque com Tite.
Douglas Santos Náutico 2013 Quebrou hiato de 47 anos para o Náutico; ouro olímpico em 2016.
Nadson Vitória 2003 Representou o Brasil na Copa Ouro.
Dudu Cearense Vitória 2003 Campeão e artilheiro do Mundial Sub-20; convocado para Copa das Confederações.
Leomar Sport 2001 Convocação polêmica sob o comando de Emerson Leão.

Rostos Conhecidos: A Trajetória dos Selecionáveis Nordestinos

O último atleta a ser convocado enquanto jogava em um time do Nordeste antes de Jean Lucas foi Diego Souza, há oito anos. O meia-atacante, então com 32 anos, vinha de atuações destacadas pelo Sport e figurou frequentemente nas listas do técnico Tite em 2017. Ele esteve presente em três convocações em um período de cinco meses, alimentando uma grande expectativa de integrar o elenco da Copa do Mundo de 2018, embora essa oportunidade não tenha se concretizado. Ao longo desse período, Diego Souza disputou cinco jogos e marcou dois gols, um deles registrado como o mais rápido na história da seleção brasileira, aos dez segundos de um amistoso contra a Austrália, em uma goleada por 4 a 0. No total, sua passagem pela Amarelinha soma sete jogos, dois gols e uma assistência.

Em 2013, o lateral-esquerdo Douglas Santos, então com apenas 19 anos, pôs fim a um hiato de 47 anos sem jogadores do Náutico na Seleção Brasileira. Embora tenha aparecido em listas posteriores, inclusive na mais recente de Ancelotti, foi pela seleção olímpica que ele alcançou maior projeção. Douglas Santos foi peça fundamental na campanha que culminou na medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. Pelo time principal, sua única aparição em campo ocorreu três anos após sua primeira convocação, em um amistoso contra o Panamá.

O atacante Nadson, revelado pelo Vitória, vivia um momento de grande forma em 2003, quando foi chamado para defender o Brasil na Copa Ouro. Naquela edição, o Brasil enviou uma equipe composta por jogadores em idade olímpica, sob o comando de Ricardo Gomes, enquanto o grupo principal de Parreira representava o país na Copa das Confederações. Nadson participou de dois jogos na campanha que resultou no vice-campeonato de uma equipe jovem, mas repleta de talentos promissores como Kaká, Diego, Robinho, Júlio Baptista, Luisão e Maicon, que viriam a construir carreiras internacionais de sucesso. Nadson foi, até a recente convocação de Jean Lucas , o último jogador a ser chamado para a Seleção enquanto vestia a camisa de uma equipe do futebol baiano.

A trajetória de Dudu Cearense com a Seleção Brasileira teve início em 2002, com convocações para as categorias de base. No ano seguinte, o meio-campista conquistou o título e foi artilheiro do Mundial Sub-20, um feito que lhe rendeu a primeira oportunidade na equipe principal, sendo convocado para a Copa das Confederações de 2003 enquanto ainda defendia o Vitória. Embora Dudu Cearense não tenha entrado em campo na Copa das Confederações, ele foi novamente chamado para a Amarelinha, disputando três jogos durante a campanha da Copa América de 2004. Naquele momento, ele já atuava pelo Kashiwa Reysol, do Japão. Sua carreira seguiu com novas oportunidades na seleção em eliminatórias para as Copas do Mundo de 2006 e 2010, mas ele nunca foi convocado para a principal competição do futebol mundial.

O Legado de Leomar: Uma Convocação Sob Suspeita

A convocação de Leomar, em 2001, é, sem dúvida, a mais intrincada e controversa desta lista. O volante, então com 29 anos e capitão do Sport, foi chamado para a Seleção Brasileira sob o comando de Emerson Leão. O detalhe que gerou grande questionamento era que, no ano anterior, Leão acumulava as funções de técnico da Amarelinha e do próprio Sport. A inclusão de Leomar na lista foi amplamente criticada, especialmente porque Leão optava por deixá-lo em detrimento de nomes como Rogério Ceni, do São Paulo, e Romário, do Vasco. Sua primeira aparição na lista ocorreu em abril de 2001, após uma campanha considerada boa no Campeonato Brasileiro.

A passagem de Leão pela Seleção não obteve sucesso e ficou ironicamente marcada pela expressão "Era Leomar". O jogador atuou cinco vezes pelo Brasil, sempre como titular e sem ser substituído. Após a saída de Leão do comando, depois de apenas 11 jogos, Leomar não foi mais convocado. Em 2013, 12 anos após o episódio, o então presidente do Sport, Luciano Bivar, fez uma declaração em entrevista afirmando ter pago um lobista para que Leomar fosse convocado, embora não tenha confirmado se o dinheiro chegou diretamente a Leão. O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) investigou o caso, mas não encontrou provas de irregularidades. Leão, por sua vez, classificou as declarações de Bivar como "ridículas".

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