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Bahia x Flu: O Confronto Histórico de 2007 na Copa do Brasil e o Papel de Renato Gaúcho
Por Redação FutBahia em 27/08/2025 03:12
O cenário para o próximo confronto entre Fluminense e Bahia, válido pelas quartas de final da Copa do Brasil de 2025, na Arena Fonte Nova, inevitavelmente nos remete a um embate igualmente decisivo ocorrido há quase duas décadas. Em 2007, os mesmos clubes se enfrentaram nas oitavas de final do torneio, em uma disputa que não apenas definiu um classificado, mas também marcou a chegada de uma figura emblemática ao banco de reservas tricolor: Renato Gaúcho.
Naquele ano, a Copa do Brasil possuía um formato distinto, sendo disputada integralmente no primeiro semestre e sem a participação das equipes envolvidas na Copa Libertadores. O Fluminense, com um histórico recente de vice-campeonato em 2005 e uma semifinal em 2006, iniciava a temporada de 2007 sob intensa pressão, especialmente após um desempenho aquém das expectativas no Campeonato Carioca, que não o levou às fases decisivas. Essa conjuntura acentuava a importância do duelo contra o Bahia .
O Início Turbulento e a Mudança de Comando
Diferentemente da ordem dos jogos previstos para 2025, o confronto de 2007 teve seu pontapé inicial no Maracanã. O resultado, um empate em 1 a 1 com gols de Carlos Alberto para o Fluminense e Fábio Saci para o Bahia , foi recebido com forte descontentamento pela torcida carioca. O fato de não conseguir uma vantagem contra um adversário que, à época, disputava a Série C do Campeonato Brasileiro, gerou protestos veementes, culminando no pedido de demissão do então técnico Joel Santana e a aclamação pelo nome de Renato Gaúcho.
A pressão popular surtiu efeito. A diretoria do Fluminense agiu rapidamente, dispensando Joel Santana e efetivando Renato Gaúcho, que havia sido vice-campeão da Copa do Brasil no ano anterior com o Vasco. Embora Renato tenha assumido o posto entre os dois jogos das oitavas de final, ele não pôde estar formalmente no banco de reservas durante a partida decisiva na Fonte Nova. A responsabilidade coube ao auxiliar técnico permanente do clube, Vinícius Eutrópio. Contudo, a influência de Renato, mesmo sem assinar a súmula, seria crucial para a classificação.
A Batalha na Fonte Nova e a Polêmica do Gol
O embate em Salvador provou ser um desafio considerável para o Fluminense. O empate em 1 a 1 no Rio de Janeiro impunha ao time carioca a necessidade de marcar gols fora de casa, uma vez que um novo 0 a 0 classificaria o Bahia pelo critério de gols marcados como visitante. A situação se complicou ainda mais no primeiro tempo, quando Emerson Cris abriu o placar para o tricolor baiano, inflamando a torcida local.
Cícero, antes do intervalo, conseguiu igualar o marcador, levando a disputa para um cenário que, naquele momento, apontava para a decisão por pênaltis. Foi nesse contexto de alta tensão que a intervenção de Renato Gaúcho se fez sentir, mesmo à distância. O atacante Soares relembrou o diálogo estratégico: "Eu estava no banco de reservas. O Renato tinha acabado de chegar. Ele conversou comigo no vestiário, disse que ia precisar de mim no decorrer da partida e eu estava bem focado no que queria fazer. No intervalo, ele me chama pelo radinho e fala: 'Soares, entra e resolve o jogo para mim, porque a gente precisa dessa classificação'".
O Momento Decisivo: Gol Controverso e a Virada do Herói
A entrada de Soares, no entanto, foi precedida por um lance de grande controvérsia. Fábio Saci, atacante do Bahia , escorou um cruzamento vindo da direita com a mão, recolocando o tricolor baiano em vantagem. O árbitro Alicio Pena Jr. não percebeu o toque irregular e validou o gol, gerando indignação no lado adversário e euforia local. A partida se encaminhava para uma vitória do Bahia , com o Fluminense necessitando de um novo gol para evitar a eliminação.
Foi então que Soares, cumprindo a missão atribuída por Renato Gaúcho, assumiu o protagonismo. O camisa 11, após receber um cruzamento preciso de Carlinhos, conseguiu empatar o confronto novamente. Este gol, decisivo, classificou o Fluminense pelo critério de gols fora de casa, silenciando a Fonte Nova e garantindo a continuidade do time na Copa do Brasil. Na sequência daquela edição, o Fluminense eliminaria Athletico-PR e Brasiliense, para então superar o Figueirense na final e conquistar seu único título na competição até hoje.
O Contrastante Cenário Atual e o Novo Desafio
Dezoito anos após aquele confronto memorável, o Fluminense e o Bahia se reencontram para buscar uma vaga na semifinal. Contudo, o contexto atual é dramaticamente diferente. O Bahia , outrora um time da Série C, hoje é um adversário consolidado na Série A do futebol brasileiro, impulsionado por um robusto investimento do Grupo City e em plena disputa por uma posição no G-4 do Campeonato Brasileiro. Essa evolução do Esquadrão de Aço adiciona uma camada extra de complexidade e expectativa ao novo embate.
A fase de quartas de final terá seu primeiro capítulo nesta quinta-feira, na Arena Fonte Nova, e a decisão final está agendada para 10 de setembro, no Maracanã, após a Data Fifa. Uma vitória simples no placar agregado garante a classificação de um dos times, enquanto um empate levará a decisão para as penalidades máximas. A história de 2007 serve como um lembrete vívido da intensidade e das reviravoltas que um confronto entre Bahia e Fluminense pode proporcionar na Copa do Brasil.
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